Sucesso em todo o Brasil, o cantor Luan Santana continua colhendo os frutos de um ano produtivo. Em 2016, ele conquistou dois prêmios e esteve no topo das listas dos artistas mais ouvidos. Rodando o país com a turnê A caixa, permanece lotando shows e projeta novos rumos para a carreira, que em 2017 completará a primeira década.

O sul-mato-grossense de 25 anos tem demonstrado amadurecimento e adotado um estilo musical mais adulto. Uma prova, segundo a crítica musical, é o próprio álbum 1977, no qual Luan fez referência ao ano de criação do Dia Internacional da Mulher e escolhe as cantoras Ana Carolina, Anitta, Ivete Sangalo, Marília Mendonça e Sandy para dividir as vozes, além da atriz Camila Queiroz numa espécie de debute na música.

Em entrevista concedida por e-mail ao portal Viver, ele falou sobre o momento atual da música sertaneja no Brasil, o novo trabalho e a escolha das cantoras nos duetos, a vida privada e as redes sociais. Sobre a desconfiança do gênero que arrasta multidões no Brasil, disse que a música romântica, independente do gênero, permanece na memória das pessoas. “Não gosto de rótulos. Acredito que é a música romântica que está ganhando cada vez mais força”, afirmou. Confira a entrevista:

O seu trabalho atual, conforme divulgado, é um “tributo ao sexo nada frágil” e baseado no ano de 1977, escolhido pela ONU para criar o Dia Internacional da Mulher. De onde surgiu a inspiração para produzir algo relacionado às mulheres e como você se enxerga nessa relação entre algo que não vivenciou desde o início, uma vez que nasceu 14 anos depois?

Sou um admirador de histórias, assim como a minha turnê acústica, em que me inspirei nos anos 1960. Sempre admirei as mulheres. Elas têm uma força fora do comum, vão a luta, são força em tudo. Agora, elas começaram a mostrar o que sentem e cantar aquilo que acontece com elas. Sempre tive mulheres fortes ao meu lado, que são a minha base para criação. Além de tudo, tenho mulheres imponentes e fortes em minha equipe. Outra parte que segue essa criação são as minhas fãs.

Você escolheu um time feminino de respeito para dividir as canções em duetos, em 1977, dentre muitas artistas da música popular brasileira que também poderiam fazer parte do novo disco. Que critérios usou nas escolhas para 1977?

Queria cada mulher de um gênero e queria muito uma atriz também comigo neste projeto.

Atualmente, diferentes gêneros musicais têm revelado artistas femininas que estão ganhando cada vez mais espaço e conquistado públicos diferentes nos quatro cantos do Brasil. Esse fenômeno, coincidentemente ou não, ocorre em meio à questão do movimento do empoderamento feminino. Você pretende passar alguma mensagem como o novo trabalho diante deste cenário atual?

Minha ideia era aplaudir essas guerreiras. É uma espécie de tributo.

O sertanejo atravessa um momento diferente na história da música brasileira, com vários artistas liderando rankings de músicas mais tocadas e ouvidas, número de shows realizados, visualizações e downloads em plataformas digitais, vendas de discos e estilo de fazer música. Na sua opinião, o que foi determinante para o gênero atingir o topo em que se encontra? Acha que o preconceito em relação diminuiu?

A música sertaneja faz parte da cultura do país. O gênero sertanejo não é modismo. O mesmo aconteceu com Zezé di Camargo & Luciano, em 1991. Houve uma peneira e ficaram os que tiveram o reconhecimento do público. O mesmo vai acontecer agora. Não gosto de rótulos. Acredito que é a música romântica que está ganhando cada vez mais força.

Um dos fatores que hoje favorece a música é a tecnologia e a internet. As redes sociais, inclusive, têm um papel importante nessa questão, mas ao mesmo tempo controverso, no qual muitas pessoas buscam a fama através de cliques, curtidas e compartilhamentos. Você é um artista que, pela idade, vivenciou toda essa mudança de comportamento. Como você analisa esse tema diante de um conjunto de ferramentas bastante favoráveis ao surgimento de novos artistas? Tenta se blindar, mesmo sendo uma pessoa pública, no sentido de evitar uma exposição desnecessária?

Costumo dizer que as redes sociais ajudam e atrapalham. Hoje em dia, tudo é muito tecnológico. As pessoas estão conectadas 24 horas por dia. Elas vivem o que você vive. O fã pode te acompanhar não só no seu show ou também nas suas férias, em seus momentos de lazer, com a família, etc. O fã gosta disso. Além de estar conectado a você, via celular. Mas também é preciso que não se tenha uma superexposição. Eu sou bem tranquilo em minhas postagens.

Ao lançar, em 2016, o DVD Acústico em Trancoso, seu primeiro trabalho do gênero, Ivete Sangalo falou com humildade sobre o “enfraquecimento natural do axé” e admitiu que o momento atual é da música sertaneja. Você concorda, acha que o sertanejo após este ápice atual também perderá força de uma forma natural ou vai conseguir manter essa hegemonia por muito tempo?

Acredito que a música romântica ou sertaneja tem vida longa.

Por: Diário de Pernambuco
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