postado por Cindy no dia 03.10.2017

O que Net, Avon, Nestlé, Mercedes e várias marcas enxergam na rapper Karol Conka? Por que Coca-Cola, Casas Bahia, Suvinil e Jequiti escolheram Luan Santana em suas ações recentes? O que Fiat, Skol, Citroën, Red Bull e Sanofi levaram em consideração ao escolher o dono do maior canal de música do YouTube, Kond zilla, para dirigir suas campanhas? Essas e outras perguntas serão respondidas pelos próprios artistas no MaxiMídia, evento realizado por Meio & Mensagem que ocorre nesta semana, em São Paulo, e que traz a cultura pop para o centro do debate.

Música e marcas sempre fazem uma dobradinha bem-sucedida, desde
os tempos em que jingles eram protagonistas das campanhas publicitárias. O atual momento dessa conexão, no entanto, é mais profundo e está diretamente ligado à capacidade de os músicos dialogarem de forma aberta e direta. “O mercado de música discutiu a importância de artistas, agências, marcas e produtoras criarem juntos. No entanto, isso era só na teoria. Hoje, observamos movimentos fortes neste sentido que, inclusive, ampliou as opções de product placement e branded content em clipes”, diz Fátima Pissarra, general- manager da Vevo.

Diversidade multiplataforma

Luan Santana está entre dois mundos: começou sua carreira há dez anos, quando produzir CDs ainda era importante (e ganhou muitos discos de ouro, platina e diamante em consequência), mantendo o pique até a era digital, em que lançamento de clipes chega a ser tão ou mais importante. Tanto que em seu escritório, ao lado dos quadros com os discos de platina, tem o de um milhão de inscritos enviado pelo Youtube – hoje são quase cinco milhões em seu canal. “Mudou muito o mercado, é importante lançar clipes e disponibilizar as músicas nas plataformas para sempre oferecer novidade aos fãs”, diz o cantor.

Só em relação à música Acordando o Prédio, lançada em janeiro, Luan subiu no YouTube cinco vídeos além do oficial, entre teasers, making of e remixes. No clipe participa, aliás, Whindersson Nunes, personalidade em vídeo mais influente do Brasil segundo pesquisa Meio & Mensagem/
Google/Provokers. Anteriormente, Luan já havia gravado com a youtuber Keféra a paródia de Dia, Lugar e Hora. Posteriormente, voltou a convocar Whindersson, ao lado de Bia “Boca Rosa”, para participarem de seu show de dez anos de carreira, realizando transmissões ao vivo de bastidores.

Essa resposta rápida às plataformas sociais coloca o nome de Luan entre os mais procurados para ativações. Na semana passada, por exemplo, o cantor apareceu em seu Instagram tentando tocar heavy metal, dizendo-se inspirado pelo Rock in Rio. A dupla Simone e Simaria respondeu a ele, também nas redes, dizendo que Luan estava fora de si. Em outro post, ele falou que havia perdido o rumo, pois devia estar faminto, enquanto saboreava uma barra do chocolate Snickers, em alusão à campanha “Como você fica quando está com fome”. Com o mesmo espírito, o cantor já fez campanhas para uma diversidade de marcas, desde Paixão, da Coty, até Trident, da Mondelez.

Ricardo Sales, consultor de diversidade e pesquisador na ECA-USP, explica que o sucesso desses cantores em combinação com as marcas está relacionado a uma mudança profunda na relação com a publicidade. “O sucesso e o engajamento de vários cantores que levam a bandeira da diversidade mostram que a publicidade aspiracional perdeu espaço. Cada vez mais as pessoas querem campanhas com as quais possam se identificar. É isso que tem gerado engajamento: conteúdo inspirador e representatividade. Mulheres, pessoas negras e LGBTQs historicamente foram maltratados pelas marcas. Mas estamos em processo de mudança e os consumidores hoje querem se ver incluídos e respeitados”, observa. Colaborou Igor Ribeiro

Por: Meio & Mensagem

 

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